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Gente Pobre

  • Foto do escritor: segundaviablog
    segundaviablog
  • 18 de jul.
  • 1 min de leitura

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Não tivesse sido escrita pelo autor de Crime e Castigo sim por algum outro autor menos prolífico, certamente Gente Pobre figuraria no cânone como uma obra-prima. Mas, como quem a produziu é Dostoievski, esta continua sendo uma obra-prima, só que menos reconhecida.


Uma das maiores riquezas estéticas dostoievskianas é a percepção clara de que não existe simplesmente tragédia individual; toda ela é sempre alinhada com uma exterioridade que a sedimenta, e sem a qual não há substância que a torne efetiva. Assim, no romance epistolar e primeiro livro publicado pelo Mestre de Petesburgo, acompanhamos o declínio de uma história de amor interrompida não por meras intrigas pessoais, e sim pela miséria material e a degradação dela decorrente, e que, embora não extinga nas personagens o sentimento de humanidade, imobiliza a oferta da mais nobre elevação de seus sentimentos. O amor, desromantizado e ao mesmo tempo no limiar de sua grandeza, não resiste aos desmandos da vida corrompida.


Há leitores que detestam e fecham os livros se já conhecem-lhe a história. Assim, não nos prolongaremos em detalhes e minúcias. No entanto, cabe-nos ressaltar a densidade pungente da última página que se configura não em palavras, mas no silêncio de uma derradeira carta escrita e não respondida. Ali, somos tomados por inteiro e lançados ao vazio desse mundo de anseios pessoais tão caros e não correspondidos.


Ler Gente Pobre não é uma introdução à obra de Dostoievski, e sim lê-lo já em seu melhor, que o acomete desde o início de sua trajetória. Que o leitor, tendo-a, não desperdice a chance de conhecer o livro. Está ali toda pronta a estrada sem volta para o gênio russo.

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