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Sobre confrarias literárias

  • Foto do escritor: segundaviablog
    segundaviablog
  • há 19 horas
  • 2 min de leitura

Não é de hoje que as centralizações no modo de construir consensos literários existem. Na verdade sempre foi assim, de modo que não temos por que nos impressionar quando o mercado se orienta por uma meia dúzia de figuras de São Paulo e Rio para nos dizer o que foram as grandes obras do ano.


Logo, não adianta dizer que havia outras boas obras que não foram lembradas, e que há muita coisa ruim que só está em evidência por força de uma ação entre amigos. Se analisarmos bem, o que vale perguntar diante disso é como esse sistema pode ser rompido em sua base, produzindo uma visão mais ampla e multifacetada do fazer literatura no Brasil.


Confrarias literárias, a rigor, são inevitáveis. Com o volume de publicações que temos, ninguém vai ler tudo, e inevitavelmente dá prioridade aos mais próximos ou aos livros mais comentados. O erro aí, então, está na ilusão de um centro infalível, ou seja, na ideia de que existem as autoridades máximas no tema que não têm como errar em suas escolhas, que na verdade são como as de todo mundo, quer dizer, baseada em seu espectro limitado de atuação.


Contra isso, a única solução viável é quebrar a centralidade e expandir o leque de leitores consultados. Em vez de ficar reclamando, os articulistas da Folha e afins deveriam ir atrás de outras confrarias em outras praças, e fazer a mesma pergunta a eles e com o mesmo respeito e seriedade com que a fazem às ditas referências nacionais: que obras você leu no ano que valem serem destacadas? Enquanto não fizerem isso, os reclamadores de plantão nunca poderão passar de peças desse jogo monótono de canonização e hipocrisia.

 
 
 

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