A pós-modernidade sai à francesa
- segundaviablog
- 2 de mai.
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Ninguém diz nada, então nem parece que desapareceu. Porém, em algum lugar perdido, há qualquer impertinente que não se esquece. Por onde andam os pós-modernos? Estão calados, ou pregando sobre os túmulos de seus heróis.
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No mundo real, o que se vê é uma morte já assumida. As ideologias estão mais fortes do que nunca. As identidades não são mais como um menu à disposição dos sujeitos conforme seu bel-prazer. De certo modo, todos são livres, mas para a escolha de seus deveres. Nada mais vivo também do que as velhas utopias, boas ou ruins.
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Claro que, sem dúvida, algo mudou. No entanto, não foi da maneira que disseram que ia mudar. Obra de precipitação? Modismo premonitório academicista? Envergonhados, os antigos senhores da interpretação se esquivam de respostas.
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Então, lancemos aqui uma hipótese bem ao estilo moderno-primitivo-materialista, e vamos ver até onde ela chega. No fim das contas, a pós-modernidade foi um truque ideológico do capital, que visava com isso expandir seus domínios - sim, a mesma conversa de sempre.
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Estávamos nos anos 1960, e a segunda guerra havia acabado. A divisão do mundo em dois blocos criou um lá e um cá oportuno para contraposições. Era hora dos liberais enfrentarem o socialismo de frente.
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Por outro lado, vivia-se o momento chamado três décadas gloriosas, único período histórico que, segundo dizem, a sociedade de mercado mostrou o esplendor de sua bondade e força.
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Isso deu uma vantagem material estratégica, que os imperialismos aproveitaram para romper a cortina de ferro. Nesse diapasão, formataram um discurso homogêneo e sedutor, ao qual a própria esquerda não conseguiu resistir. Um planeta de liberdade onde cada um escolhe o que quer ser. O fim das amarras da história, e também das necessidades. Depois, a ruptura completa das fronteiras e a aldeia global. Nada poderia ser mais bonito e uniforme.
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Mas é claro que esses teoriocratas se esqueceram de falar que seu discurso, apesar de verdadeiro, valia somente para as empresas transnacionais. De resto, mantinha-se o leva-sem-traz de sempre, com a diferença de que os pobres agora teriam smartphones.
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A estratégia, não se pode negar, deu certo. Os muros, como todos sabem, caíram realmente. E seria até possível afirmar que houve um espírito sincero de integração em curso, interrompido de forma brusca pela crise de 2008. Daí em diante, foi só ladeira abaixo e um salve-se quem puder.
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Hoje, o que se tem é isso. O capital em mais uma encruzilhada e os filósofos perdidos. Sua tese imortal tornou-se velha, coitada, ao ponto de ter partido. Mas que não nos enganemos com a durabilidade de seus ossos. Faz-se muito teatro universitário ainda com essa arte de ventríloquo.






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