A revolução no descrepúsculo dos ídolos
- segundaviablog
- 16 de fev. de 2025
- 2 min de leitura

1
Tem atraído a atenção nas redes o trabalho de base de igrejas neopentecostais que, mandando o estado laico às favas, converte em escolas públicas inúmeros adolescentes a sua doutrina, garantindo uma nova geração volumosa de fiéis e direitistas antes mesmos que estes possam formular com acuidade o pensamento crítico - o qual, esperam os pastores, eles nunca venham a ter nos assuntos ideológicos.
2
Do lado da esquerda, sem dúvida, nenhuma lição a ser aprendida, a não ser a de que é impossível que o combate possa ser travado em condições de igualdade num campo dominado pelo adversário. Eles têm a bola, o campo e o jogo. Das redes sociais aos órgãos de estado, a batalha começa perdida, e os progressistas não são mais do que oponentes adestrados para exaltar a vitória dos conquistadores em um roteiro manjado, que permite apenas alguns improvisos de pouca monta.
3
De todo modo, há algo que se apreende, ainda que de modo enviesado, quando se deixa de lado a conjuntura, e olha-se para as bases do fenômeno.
4
Ora, nenhum processo revolucionário se faz à revelia do estado de coisas vigente. Tampouco se pode reformular de imediato um sistema cultural a partir de modificações econômicas. No máximo, ocorre um processo gradual que se expande paulatinamente.
5
Isso implica dizer que a estrutura ideológica de uma comunidade precisa ser levada em conta em assuntos de persuasão, tática e estratégia. Foi assim na Coreia, em que o culto patriarcal demandou a necessidade de manutenção de um líder figurativo, ou na Rússia, em que o nacionalismo se viu obrigado a substituir a linguagem revolucionária, sempre que foram detectados riscos de disrupção. O fim maior é o que deve ser mantido.
6
No caso brasileiro, é preciso antes constatar. Somos um país crédulo, e por isso presa fácil dos neoconservadorismos. As histórias que mais nos convencem são sempre aquelas que contam com doses de magia e predestinação. Também amamos o culto da autoridade, e outras coisas mais ligadas a isso.
7
Devemos ir contra essas tendências tão acentuadas? Por óbvio, não à primeira vista. O máximo que conseguimos com nossa pressa é antipatia. Trata-se, antes, de pensar o que está fora desse domínio, ou seja, o interesse pragmático e material, para depois avançar na desconstrução dos mitos sustentadores da cultura. Feita a parte inicial, o restante, embora necessário, não carece de tanta pressa.
8
Mas é preciso dar mais um passo, e avançar na construção de uma mitologia igualmente sedutora, igualmente elevada, igualmente reconhecível pelo povo, mas com o diferencial de conduzi-lo à libertação. Obviamente, nada disso está pronto, e carece de melhores apuros teóricos e efetivos, o que na verdade é um chamado para que comecemos o quanto antes.
9
O comunismo precisa virar moda, e, para tanto, deve partir da base estabelecida, mas sem emular o restante do caminho. Respeitando-se os signos das massas, apontaremos pouco a pouco o lado vazio desses ídolos.
10
Paixão e revolução. Negamos que isso é um contradito.






Comentários