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As armadilhas do realismo

  • Foto do escritor: segundaviablog
    segundaviablog
  • 10 de ago.
  • 1 min de leitura

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A estética realista, por definição, constitui o horizonte básico da criação ficcional moderna e contemporânea. Contudo, isso não significa que o real dado na trama de modo verossímil feche a questão. Na verdade, esse é só o início do problema.


Porque, como bem nos alerta Flaubert, o fim da arte é a ilusão, ou seja, deve-se criar com a obra uma miragem que nos permita acessar o mundo sem que nos apropriemos de suas concretas mediações, pelo intenso exercício da intuição sensível, de maneira que explicar demais é trair o procedimento. Obviamente, trata-se de uma prática conflituosa e difícil, e por tal motivo nem sempre a literatura se materializa.


Descrições demoradas, justificativas minuciosas, transcrições literais: tudo isso aproxima mais o texto da antropologia e da sociologia que da arte literária. Discurso científico ficcionalizado.


Desse modo, não se deve simplesmente estudar o tema da narrativa como quem prepara dissertações. É necessário permitir uma longa margem para a entrada do imaginário.


Entretanto, não há meios nem fórmulas para tanto. E nunca se sabe em que parte do caminho esconde-se a armadilha de que se desvia.


Por essa razão a literatura é arte. Por essa razão o autor é artista.

 
 
 

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