Duas lutas
- segundaviablog
- 16 de abr. de 2025
- 2 min de leitura


Muitas vezes vemos a história sendo feita, mas só nos damos conta disso quando ela está feita. Não é que aí seja exatamente tarde, mas, para quem está comprometido com a luta e a análise política, é passado o momento singular de qualquer intervenção.
Na semana presente, Manaus passa por dois instantes muito intensos da escalada das lutas trabalhista e progressista. O primeiro deles é de caráter inescapável a todo indivíduo que vive na capital do Amazonas. A greve dos rodoviários literalmente parou a cidade e não dá sinais de retroagir. Por trás dela, uma batalha decisiva não somente pela pauta frequente dos melhores salários, mas também pela existência de sua própria profissão. Contra a precariedade e a tecnologização desenfreada, os paredistas dizem não à retirada dos cobradores de ônibus, assim como também a todo movimento global destrutivo das condições e postos de trabalho em nome de uma falsa praticidade que só serve à expansão da mais-valia.
Já no campo político, uma vitória importante. A eleição de uma candidata progressista à reitoria da Universidade Federal do Amazonas marca um importante ponto de ocupação e confronto frente ao avanço quase ubíquo da extrema direita na cidade. Sem dúvida, é válido contrapor a ideia de que se trata de um fato isolado, posto a UFAM ser um locus privilegiado de ebulição das forças não conservadoras. Porém, é preciso salientar que o crescimento do obscurantismo em Manaus tem manifestado um potencial totalizante, de modo que era de se esperar que todas as instituições fossem afetadas por este. Entretanto, o devir histórico manauara nos ensinou que é possível criar condições de dissenso.
Esses dois eventos, em sua relevância e magnitude, são de especial alento para uma cidade que tem visto enterradas as suas chances de sair do poço miserável do ultraliberalismo. Que os pesquisadores críticos não os ignorem, esperando apenas os livros novos do Norte Global ou as notícias de Brasília, e que os militantes saibam aproveitar essas pequenas frestas para fortalecer sua luta. Viva a Manaus combativa.






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