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Estado, prefeitura e a promoção material da literatura

  • Foto do escritor: segundaviablog
    segundaviablog
  • 21 de mai.
  • 2 min de leitura


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Em 2024, a gestão municipal de Manaus desembolsou um valor de r$ 680 mil reais para uma apresentação do cantor Alok no evento Passo a Paço. Se convertêssemos tais cifras em compra de livros, a um custo médio de r$ 45 por exemplar- relativamente alto dependendo das condições de aquisição-, isso resultaria em 15 mil exemplares, mais do que a quantidade de alunos de nono ano da rede municipal. 


Fazemos a comparação do investimento em literatura com uma atividade cultural porque esta nos parece pertinente. Uma ação direta e localizada, com retorno material menos evidente que o imaterial, mas que inegavelmente contribui para o bem-estar da comunidade. 


Como fomento à leitura, o PNLD, sem dúvida, é necessário, mas não suficiente, sobretudo porque não atende às demandas locais que somente os poderes estaduais e municipais podem conhecer. 


A cena literária do Amazonas, por suas diversas carências, não pode levantar-se por si mesma. O mercado é frágil e o número de leitores diminuto. Por outro lado, a relevância social da leitura é indiscutível. Assim, é imprescindível um impulso primeiro,  que deve ser tomado aqui como tarefa do poder público. 

 

Isso é algo que se faz não somente fomentando a publicação, mas também garantindo que os livros circulem. Fora isso, é essencial que os leitores encontrem obras que falem de seu mundo, o que só pode ocorrer quando têm em mãos autores locais. 

 

Da mesma forma que Vera viu a uva no Nordeste, tal qual foi contestado por Paulo Freire, nossos alunos descobrem que Ana viu o MASP sem ideia de como seja, quando seria mais interessante começar a ler sabendo que Maria viu a Ponta Negra. 


Desse modo, um PNLD local, com autores locais, realizado tendo em vista nossas demandas mais próprias, faz-se assunto de primeira ordem. Um passo a passo necessário porém de menor custo, e com um retorno cultural de longo prazo e abrangente. 


Sem dúvida, nossos escritores querem ser lidos por autores que buscam alcançar suas obras espontaneamente. Mas essa espontaneidade se dá em condições válidas, e não negativas. Para tanto é que é preciso que o Estado intervenha. 


Um primeiro movimento, e o terreno se tornará fértil. 


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A literatura, como tudo, também é política. Então, nada mais coerente que termos uma política para a literatura. 

 
 
 

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