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Literato GPT

  • Foto do escritor: segundaviablog
    segundaviablog
  • 4 de mar. de 2025
  • 1 min de leitura

Portais pela rede celebram a boa nova, cientificamente comprovada. Ler ficção faz bem para o cérebro. Logo, tem utilidade para nós e não é só mania de pretensiosos e eruditos. 


Assim, está surgida uma revigorada fase para a literatura, agora imersa no receituário coach premium do mais alto nível - pleonasmos nesse caso são bem-vindos. Literalize-se é o neologismo. Vai ser mais esperto e rico se botar para ler. Os escritores serão salvos pelos que trabalham enquanto eles dormem. 


Mas, atenção. Muito cuidado ainda. Nesse mundo dos negócios, tudo requer extrema cautela. É preciso ler as letras miúdas. Os cientistas falaram em ler ficção, mas não disseram bem de que tipo. A princípio, o que vier está valendo.

 

Primado da forma sobre o conteúdo, dissociação e fratura interna. 


Chegamos à era da ficção instrumental, sem mente, apenas cérebro, só a máquina que pensa. Contanto que o exercício esteja feito, tanto faz o que se apreende. E quem disse que nessa dinâmica o autor é realmente necessário? Pode muito bem ser trocado pelo algoritmo. Princípio da new age da leitura, declínio derradeiro do humanismo. 


All done, está pago, diz o jovem no espelho com o livro sem título.

 
 
 

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