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Literatura em Manaus - o desafio crítico

  • Foto do escritor: segundaviablog
    segundaviablog
  • 27 de mar. de 2025
  • 2 min de leitura




Foi Antonio Candido quem, em sua insuperável categorização de sistema literário, vaticinou a necessidade do crítico para o desenvolvimento orgânico de toda e qualquer literatura. Sem este, ela não pode progredir totalmente, uma vez que em sua figura se guardam os elementos de propagação pública e apurada dos fazeres artísticos de um determinado grupo. 

 

No entanto, um corpo crítico também é algo que somente pode surgir em localidades literárias maduras, que já atingiram um grau aceitável de estabilidade e são capazes de atravessar sem impedimentos um processo de depuração e distinção elaborado com rigor. 

 

Vale ressaltar que, aqui, discernimos o trabalho crítico daquele envidado pelos pesquisadores da literatura. A estes não cabe exatamente emitir juízos, e sim mapear as manifestações literárias e fornecer interpretações para melhor compreensão de seu significado e lugar histórico-social. 

 

Vale ainda também dizer que excluímos da função de crítico o comentador espetaculoso, que se preocupa mais em chamar a atenção para seus dizeres que contribuir seriamente para o diálogo sobre as obras. 

 

Ora, Manaus, como se sabe, tem um sistema literário duvidoso e frágil, e um público leitor tristemente diminuto. Desse modo, é de se perguntar se a tarefa de crítico realmente contribui ou apenas joga cal por cima de nossas produções já tão pouco visíveis. 

 

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Por outro lado, é nítido que nossas criações precisam amadurecer, superar certos modelos ultrapassados e concepções vencidas, para acompanhar a estética e o mundo presente. Isso se faz somente pelo intercurso examinador. 

 

Dado esse cenário, a solução que nos parece mais razoável é a da crítica de pequenos grupos. Seria interessante que os autores se agrupassem com críticos e dialogassem francamente sobre suas obras em sessões mais ou menos restritas, nas quais a discussão fluiria em termos de ponto e contraponto, numa aproximação que faria avançar não apenas o fazer literário, mas a própria noção de literatura em nossos termos. 

 

Por óbvio, tal diálogo demandaria objetividade e respeito de ambos os lados. Certo que ocorriam no percurso também alguns acidentes. Mas é um risco necessário e imprescindível. 

 

Em nossa cidade, há críticos que mal conhecem os autores, principalmente os de fora de seu grupo de relações. O contrário é igualmente verdadeiro. 

 

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Ampliar tais grupos, então, seria tarefa de primeira linha. É o único modo de se fazer um sistema. É a única forma de construir nosso particular devir-literatura. 

 
 
 

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