Nakba e Amazonas, por Raissa Jambur
- segundaviablog
- 19 de jun.
- 2 min de leitura

Abri o livro Rio das Cinzas do amigo Victor Leandro para folhear, como é de praxe com livros novos que nos chegam às mãos, e vi o capítulo que ganhava o título Nakba. Depois disso eu soube que leria um dos melhores trabalhos do Victor, como de fato foi.
O termo Nakba significa catástrofe em árabe e se refere ao fenômeno de expulsão do povo palestino de suas casas e de suas terras, que começou oficialmente em 1948 e que se estende, indubitavelmente, até os dias de hoje. O livro Rio das Cinzas aborda a crise climática no Amazonas, as consequências do garimpo ilegal, a seca do rio negro, a fumaça que cobre toda a região norte, e o desamparo da população ribeirinha.
Como esses dois fatos se ligam, afinal?
Em tempos de horror, a linguagem sempre vai tentar se formular para captar o indizível. Dentre essas tarefas que a linguagem se propõe sob a nossa humanidade constituída, há também, a de compreender como não estamos sós.
O tecido dos problemas sociais, no fundo, é muito parecido uns com os outros. A colonização imperialista que sofre o povo palestino, é também a colonização imperialista que controla o avanço do mercado a despeito de qualquer consequência climática ou social sob a vida dos povos da Amazônia.
As catástrofes possuem localizações geográficas distintas, constituições históricas específicas, mas não deixam de ter como resumo uma coletividade de pessoas unidas contra a invisibilidade de suas vidas, contra a destruição dos seus modos de vida, contra o roubo dos recursos que viabilizam sua sobrevivência.
Nakba se repete através da história da humanidade, sob o imperialismo, sob o mercado, sob grupos que controlam as narrativas e a piedade e empatia das pessoas.
Há ainda muito que eu poderia falar sobre o livro Rio das Cinzas, mas esse é o ponto do qual eu gostaria de começar.






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