O desaparecimento do leitor
- segundaviablog
- 21 de mar. de 2025
- 2 min de leitura

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Intitulamos essas considerações pelo seu problema, porém isso nos soa supérfluo discutir, uma vez que é um fato evidente. Os leitores estão sumindo, e a sensação que temos é de que só os diretamente interessados ainda falam de livros.
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Isto posto, e na verdade muito bem posto mesmo, a questão real que se nos apresenta é a única que não sabemos responder com certeza: O que fazer? Aqui, lançamos algumas sugestões meio cartesianas, no sentido individual de como guiar a racionalidade leitora de si para si.
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Começamos por um preconceito que parece saudável, e precisa ser assumido. É necessário recusar a literatura industrial, e dizer não aos best sellers vazios e outras misérias escalonadas no autodesenvolvimento e afins. Esses textos, ao contrário de aproximar da leitura, afasta leitores, pois os leva a procurar os livros como instrumento, o que não são. A leitura é algo que muda perspectiva, que aprofunda, e a ideia de que começar por livros ruins é pedagógica não passa de ilusão. Também é falso que é melhor isso do que nada, está aí uma pseudo-escolha. Se tirarmos as obras mercadológicas, o que resta para ler são os livros bons.
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Em seguida, a escola. O que se diz é que a leitura tem perdido até por lá o seu valor cultural. Então voltemos ao disciplinar óbvio. Em vez do empreendedorismo enganador, seria interessante criar uma disciplina independente com o nome prática leitora. O programa seria absurdamente simples. Leia um livro por bimestre. Fale sobre ele coerentemente ao professor, e pronto. Está passado. Melhor que isso, só se tiver futebol na quadra todo dia.
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Mais adiante, a comunidade. Mais livrarias, livros menos caros, livros nos bairros distantes do centro. Certo que isso depende de condições macroeconômicas. Porém, que tal o Estado começar a pensar no assunto?
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Agora, os autores. Apostamos aqui no poder local. Mas daí perguntamos: acaso eles leem o que seus colegas próximos produzem? Falam deles com sinceridade e real interesse? Só discutem obras dos amigos? Deviam saber que os bons inimigos sempre escrevem muito bem. Certo, todos queremos ser lidos, mas isso só ocorre quando lemos uns aos outros. Somente com a praxis coletiva é que o sistema se forma, e a roda se expande para outros leitores também.
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Formalmente, acreditamos que as obras mais curtas serão o destino da ficção. Podemos, sem dúvida, lutar contra isso, e é de direito não se subjugar. Mas um revezamento produtivo parece ser algo bem saudável, no caso. Aliás, não estamos falando de nenhuma novidade. Há séculos, vimos o romance tomar o lugar do gênero épico. Sinal das eras. Precisamos ser escritores de nosso tempo.
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Fechamos aqui nossas parcas sugestões, e parece que o diálogo não chegou nem ao começo. Quem pensa assim está redondamente certo.
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Porque também a prática é o legítimo critério de verdade. Logo, só podemos ver acerto no que dizemos quando em ação.
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Todos nós, aos livros, sem hesitação.






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