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O escritor com a faca na mão

  • Foto do escritor: segundaviablog
    segundaviablog
  • 6 de jul.
  • 1 min de leitura

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A literatura não é para fazer denúncia; para isso já existem – os honestos – jornalistas.


A literatura não é para defender teses; que a academia e a ciência cumpram seu papel.


A literatura não é para lutar contra a desigualdade; somente os povos oprimidos organizados são capazes disso.


A literatura não é para visibilizar grupos; continuarão invisíveis se não se mostrarem no real.


Com a lâmina afiada na mão e uma fúria lúcida, o escritor perfura a superfície das coisas e revela sua natureza mais profunda, desvelando com o mito o que o logos não pode fazer transparecer.


Saem daí contradições profundas, duras, por vezes sórdidas, mas ainda essenciais. Somem os heróis e vilões. Fica a tragédia humana.


Sim, não se pode confiar numa obra que não toma lado. Mas é preciso saber que esta é igualmente falsa se não souber que não existe lado bom no sentido mais rude do moralismo, e sim e tão somente aquele em que a ignomínia não criadora é destruída.


A arte cresce onde o mundo se apaga, onde ele se deixa tremular pelo abismo.


Quem não vai ao fundo não escreveu nada.


Só promove o corte quem também sai ferido.

 
 
 

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