O prato do dia - revolução
- segundaviablog
- 23 de fev. de 2025
- 2 min de leitura

1
Parece tão óbvio que no final precisa ser dito. Se você acha que irá fazer a revolução com memes, figurinhas e vídeos de redes sociais, é mais do que certo que está fazendo tudo errado. Nada vai acontecer.
2
Não que não haja nenhuma batalha cultural a ser travada na superestrutura. Sem dúvida ela é concreta, mas sem possibilidade de mudanças fundamentais. Nas redes sociais, tudo vira espetáculo, e as únicas opções de personagem são entre o palhaço e o velho do restelo.
3
A ascensão da extrema direita no Brasil em nada teve a ver, a princípio, com publicações de trinta segundos. Ela foi forjada no recôndito das igrejas, nas associações locais, nos clubes de tiro, para os quais o conteúdo virtual ofereceu não mais do que certa munição.
4
Assim, pelo lado da esquerda, que não tem por que delirar com miríades de pregadores progressistas, deve-se retornar ao modelo clássico porém ainda vigente que propôs certa vez em uma entrevista Ricardo Antunes: os sindicatos, os movimentos sociais e os partidos.
5
Ah, mas os sindicatos foram cooptados pela grande política. Ah, os partidos de esquerda radical se tornaram minúsculos. Ah, os movimentos sociais foram paralisados pelo identitarismo.
6
Sim, é verdade. E daí está a grande tarefa, a ser promovida por uma vanguarda teórica e pragmaticamente preparada. É preciso retomar o horizonte revolucionário dessas organizações, para daí chegar às provocações que geram movimentos de massa.
7
Isso, claro, depende da formação de líderes carismáticos e agregadores. União absoluta da subjetividade transformadora e da visão totalizante da coletividade.
8
Mas pessoas assim não dão em árvores, nem se fabricam, dizem os céticos.
9
Recusemos o messianismo.
10
No trabalho e no compromisso de cada sujeito, a chave desse construto, da forja do imprevisto.






Comentários