Os escritores
- segundaviablog
- 5 de out. de 2025
- 2 min de leitura

-Meu sonho na verdade é,
-Seu o quê?
-Sonho.
-Essa palavra é tão proibida quanto inspiração.
-Não precisamos mais ter um enredo.
-Ou trama.
-A crise da representação,
-Uma obra sobre os nossos tempos, eis o que todas são e seu veneno.
-A mesma coisa.
-Inspiração ou epifania é só um modo de referir-se.
-Há um enigma indecifrável na escritura.
-O romantismo não acabou talvez porque nunca tenha começado.
-Errar melhor, como Beckett.
-Um romance ruim quase sempre é bem escrito.
-A novela é hoje o que se pode ler sem dormir.
-Significante e significado. Mediocridade e desânimo.
-Se você diz que está inspirado, isso só significa que não passou pela universidade, o que pode ser um bom sinal.
-Não tem vícios.
-Morou em São Paulo e fez amigos que lhe deram um prêmio.
-Eu diria mais ou menos que estar inspirado ainda é correto, na falta de um termo melhor.
-Flaubert era herdeiro e Conrad militar. Já os outros quase sempre jornalistas.
-O efeito estético permanece com sua importância.
-Vamos falar da técnica?
-O modernismo esgotou a literatura antes de sua realização.
-O escritor acadêmico é uma moda recente.
-Fazemos igual porque aprendemos na mesma oficina.
-A ficção não tem mais lugar no mundo de hoje.
-Diríamos, então, que há um fundo inexplicável, ao contrário do cientificismo que nunca deveria ter estado entre nós?
-Quanto mais rápido o ritmo, mais envolvente é a obra.
-Mais de cento e cinquenta exemplares sendo um autor independente. Que Magia!
-Continuarei me humilhando às editoras. Meu vício é falar sempre mal delas.
-Network é o estilo de época contemporâneo.
-Queria ter mais tempo para escrever.
-Queria ser lido.
- Aqui só tem lágrimas e santos.
-Ir para uma fazenda e me dedicar exclusivamente à literatura.
-E ainda assim escreveu um mau conto.
-A arte como vômito de mim mesmo.
-Poesia narrativa.
-Já não nos importamos com teoria, ou então somos teóricos demais, o que engessa a intriga.
-Escrever como a macieira faz maçãs.
-Sem riso, muita metafísica.
-Um mau cheiro.
-Só os europeus propõem interrogações filosóficas. É um direito que não nos assiste.
-Ele sim escreve bem.
-Um dia, por certo, não farei mais outra coisa.
-Por que será que nós nunca nos respondemos? Eu falo, mas não ouço.
-Publicar sem pagar é prestar-se à ditadura de um editor.
-Quem sabe daqui a muitos anos.
-Tudo bem, nosso trabalho é a escrita. Não precisamos compreender o que somos.
-O melhor texto é sempre o próximo.
-O mundo continua precisando de literatura.






Comentários