Questões de estilo
- segundaviablog
- 27 de jul.
- 2 min de leitura

1
Já disse Ricoeur que o estilo é a subjetivação de um gênero. Logo, é a pessoalidade fincada materialmente na forma do texto. Por conseguinte, também algo que cabe à autoria propor.
2
Que um estilo funcione ou não ao seu público, trata-se sem dúvida de outro problema, que o escritor pode ou não tentar dirimir.
3
No entanto, se não há estilo nas obras, também não existem autores. Está aí algo que de fato a IA e seus entusiastas têm a nos dizer.
4
Encontrar o estilo na escrita é, muitas vezes, tarefa de um acidente, não de uma resolução. Porém, uma vez posto, é bom que seja deliberadamente assumido.
5
Não há, propriamente, estilos melhores ou piores, e sim apenas os que afetam mais ou menos leitores.
6
Simular o estilo de um outro é um estilo também.
7
Todo escritor, se tem estilo, deve preparar-se para ser rejeitado ou aceito exatamente por causa dele. Se isso ocorre, sem dúvida é sinal de que se é um autor – o que não tem a ver com ser bom ou ruim.
8
Da minha parte, Catedral, Degredo e Rio enfim se colocam no projeto da estética do erro, que o assume enquanto ente criador.
9
Senão, vejamos. Há uma confusão em certo momento quando Careca empresta dinheiro a Renilson, pois ali se fala em mãe e não em avó. Mas tem sentido. Pois de que maneira importaria a um agiota saber exatamente por que faz certo negócio sem grandes valores? O erro foi produtivo e então ficou.
10
Ou então, nos inúmeros entrecortes de frases do Degredo, ou ainda na primeira página de Rio, em que se diz “da uma fundação” e não “de”. Será uma um título institucional em minúsculas, remetendo à deusa mediadora hindu? Ou a frase foi interrompida pelo empreiteiro que não queria dizer o nome da fundação? Está aberto o mundo da oralidade em sua proliferação de sentidos.
11
Não é necessário que o autor explique o seu estilo. Mas que ele o conheça, isso é algo que aumenta seu domínio estético.
12
Escrever é chutar uma pedra enquanto se anda o caminho.






Comentários