Torcer ou não torcer?
- segundaviablog
- 20 de abr. de 2025
- 1 min de leitura

Sponville já disse muito acertadamente. Se a filosofia não serve para nos ajudar a viver melhor, ela não serve para nada.
Então, como sabedoria de vida, presta-se ela a resolver questões cotidianas, e não somente grandes dilemas metafísicos.
Senão, pensemos. Seu time joga, e você sabe que é um jogo difícil. A derrota é tão possível quanto a vitória. Por conseguinte, a angústia é inevitável. Contudo, sabe também que ver ganhar pode trazer uma grande alegria, embora o processo todo seja duro suportar.
Daí, a dúvida entre assistir ou não, atravessar o martírio de resultado incerto ou deixar-se seguir impassível a essa loucura. Faltam vinte minutos para o jogo.
Eis, aqui, toda a configuração das filosofias existenciais de Nietzsche e Schopenhauer. A este, ficava claro que só o sofrimento era certo, que a dor no fim é interminável. Portanto, o melhor a fazer era evitá-la. Além disso, o desejo é algo que não cessa nunca, de maneira que qualquer alegria é totalmente ilusória e fugaz. Desse modo, para que perder tempo com só mais um sofrimento? Sempre haverá a próxima partida para trazer de volta o mal-estar.
Nietzsche concordava com tais premissas, mas dizia também que somente lançando-se ao risco é que se existe. Logo, a inquietação vale a pena e viver é estar em perigo. Amor fati. Uma caminhada sem obstáculos não tem qualquer sentido.
A partida está para começar, e você precisa saber que não há exatamente uma resposta certa - apenas saídas filosóficas, ou seja, escolhas conscientes do caminho. É para isso que ser filósofo nos ajuda. A exata mensuração da terra ou do quanto dura a derrocada em um abismo.






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