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Tornar-se burguês

  • Foto do escritor: segundaviablog
    segundaviablog
  • 18 de mai.
  • 2 min de leitura



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Primeiramente, um aviso: nem todo antiburguês é um revolucionário, de modo que estamos tratando das diversas formas de aceitação ao modo de vida amputador e dominante. 


Mas começa assim. Você é um jovem inconformado, não sabe bem o que está mal porém não aceita as coisas como estão. Então, rebela-se de alguma forma, expressando isso pela arte ou alguma outra maneira de comportamento desviante. Choca, com isso, se não a sociedade, ao menos os parentes nos almoços de domingo. 


Depois, grita, e fala que são todos os estúpidos, que o mundo está ruim por causa deles, e que sem dúvida fará de si algo melhor e outro mundo. 


Então acaba a faculdade, e você se dobra. Vem aí a necessidade de dinheiro. Sem problema. Todos de fato têm de trabalhar, você diz. 


No emprego que arranja, não há quem não fale em ganhar mais, em ter uma vida melhor, e isso acaba influenciando você de alguma maneira. 


Por outro lado, você se une a uma pessoa, e então vêm os filhos. A família converte-se da sua concretude em um valor. Pensando bem, é bom para as crianças ver as gerações juntas e felizes. 


Ou então, ou ainda, vai ficando cansado, e, de repente, sem tempo para fazer as chamadas outras coisas, que antes eram essenciais. O que vale mesmo é ganhar a vida, e no mais a internet oferece muitos passatempos. 


Um amigo mais integrado o convida para visitá-lo no fim de semana, ou irem ao parque aquático. No passeio, tudo vai ficando confortável e satisfatório. E lá se vai o domingo em que antes lia e se empenhava em escrever contos. 

 

Quando olha, o tempo já passou e agora é tarde para tudo. Ou então de fato suas ideias de jovem não passavam de arrombos juvenis. O importante é que as contas estão pagas, os filhos bem na escola e ainda dá para acompanhar as notícias do jornal. Da rebeldia de antes, sobraram as boas histórias para contar aos meninos e os conselhos de que não percam muito de suas vidas com nada disso e foquem em suas profissões. 


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Senão, algo pior. Você com seu ativismo digital entre um churrasco e outro, um aniversário e outro, uma viagem e outra, um jogo de futebol e outro, uma reunião no sogro e outra, uma foto e outra, uma igreja e outra, um salário maior e outro, uma mentira e outra. Você perdeu, mas pode ficar na arquibancada do estádio e assistir aos que lutam. Os ingressos são caros, só que você agora pode pagar por eles. Sorte sua, mérito seu. Os mais novos que deem seu jeito. 

 

 
 
 

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